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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Padre Fabio De Melo Também Não Escapou Da Síndrome Do Panico



O padre Fábio de Melo disse na tarde de ontem que adquiriu a síndrome do pânico no auge de sua carreira como cantor, uns quatro anos atrás. Segundo o sacerdote, a agenda pesada contribuiu para o receio de pessoas e aglomerações.
“Teve uma época que eu tive síndrome do pânico, uns quatro anos atrás. Eu tinha uma agenda muito pesada, fazia de 20 a 25 shows por mês. E aí, eu realmente comecei a ter muito medo das pessoas, de aglomerações. Era uma situação que eu não estava acostumado, não soube administrar aquilo”, revelou em entrevista ao “Estrelas”, da TV Globo. “Mas passou”, completou em seguida.
Após o episódio, Fábio de Melo deu uma diminuída na música e passou a realizar outros trabalhos, como a pregação de retiros e o lado escritor. “Sempre gostei de cantar. Já gravava CDs antes mesmo de ser padre. Gravei o meu primeiro CD em 1995, mas hoje eu posso dizer que 70% do meu trabalho de evangelização não é mais a música.
Eu optei por diminuir a música e fazer outras coisas, como pregação de retiros, viagens em peregrinação, e dar um pouco mais de tempo ao padre escritor, que eu acho muito eficaz. Eu tenho um livro que vendeu mais de 1,5 milhão de cópias, que é o ‘Quem me roubou de mim’.”
Natural de Formiga (MG), Fábio de Melo, de 44 anos, mora atualmente na zona rural de Taubaté. Além de padre, ele é também é cantor, escritor e apresentador da TV Canção Nova.


FONTE: http://www.tudoadizer.com.br/

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

'Ninguém Leva Minha Depressão A Sério'

Especialistas afirmam que preconceito é sentido por quase 100% dos pacientes e alertam que doença deve ser tratada, pois em alguns casos pode levar à morte

Não havia um dia que Márcia* não ouvisse frases como “vai passar”, “é só você esquecer que a tristeza vai embora” ou ainda “isso não é nada que o trabalho não resolva”. Enquanto ouvia estes comentários, ela se afundava na depressão. Sem saber. Aos poucos, foi se afastando dos amigos e já não gostava ou não tinha forças para fazer quase nada. Executar tarefas rotineiras do trabalho se tornou muito difícil. Foi preciso uma década para que Márcia, os amigos e a família se dessem conta de que ela tinha depressão.
Nesse tempo, ela teve crises de ira e angustia e tentou se matar duas vezes. “Nunca é bom ouvir que a angústia que você está sentindo não é nada. Comentários desse tipo te deixam mais impotente e você se odeia ainda mais por estar naquela situação e simplesmente não conseguir sair dela”, diz ela, atualmente com 28 anos.
Relatos como o de Márcia não são raros. Apesar de mais de 350 milhões de pessoas sofrerem de depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e da previsão de a doença ser a mais comum no mundo em 2030, quem sofre do mal não costuma ser levado a sério. No Brasil - o campeão dos casos, com cerca de 15% da população atingida - o descaso beira o preconceito. 
"Você nunca vai ouvir ninguém falar para um diabético que ele não precisa se tratar, que é só lavar um tanque de roupa suja que passa. A depressão também é uma doença e, dependendo da gravidade, pode ser letal", afirma o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva. Ele diz que quase 100% dos seus pacientes relatam ouvir esse tipo de conselho. 
Andrea Feijó Mello, médica responsável pelo Ambulatório de Estresse e Depressão da Unifesp, em São Paulo, concorda que o preconceito que a população tem com a depressão é quase geral. “Normalmente as pessoas pensam que eles estão com preguiça, mas na verdade pacientes com depressão têm diminuição do raciocínio e da capacidade de execução. Acho que este problema tem muito a ver com o preconceito e com a desinformação”, disse.





Depressão
A OMS define depressão como um transtorno mental comum, caracterizado por tristeza, perda de interesse, oscilações entre sentimentos de culpa e baixa autoestima. Outros sintomas são distúrbios do sono e perda de apetite. Também há a sensação de cansaço e falta de concentração. Em graus mais elevados pode levar ao suicídio e deve ser tratado por profissionais e com medicamento.
“Muitas pessoas acham que para ficar deprimido é preciso de algum motivo, o que não é verdade. É uma doença com um causador interno (alterações químicas no cérebro), que pode ser associada ou não a uma causa ambiental”, disse Silva.
Depois de duas tentativas de suicídio, Márcia percebeu que precisava de tratamento. "Fui ao psiquiatra e na psicanalista, e segui com o tratamento direitinho. Melhorar era a prioridade. É uma doença e tem que ser tratada. Tomava os remédios no horário e ia nas consultas. Minha irmã, que na época estava desempregada, cuidava de mim. Não ia nem ao banheiro sozinha. Tinham medo que eu tentasse me matar novamente”, conta.
Hoje Márcia está bem. “Tanto que consigo falar sobre o que aconteceu mais tranquilamente”, diz. Ela continua o tratamento e vai ao psicanalista uma vez por semana. No início do tratamento, eram três vezes por semana. Também parou de tomar remédio, por indicação do médico. “Não estou medicada, mas caso eu sinta qualquer tipo de sintoma eu devo falar com o meu médico”, diz. 
*O nome foi alterado para preservar a identidade

FONTE: Saude.ig

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

AFASTE-SE DE PESSOAS QUE LHE FAZEM SENTIR-SE MAL



De fato estamos cercados de pessoas tóxicas.
Pessoas que são egocêntricas, manipuladoras, interesseiras, arrogantes, rancorosas, amarguradas, mal amadas, invejosas ou fracassadas, que não conseguem ver o sucesso ou a felicidade alheia. Enfim, pessoas sombrias que minam os relacionamentos e amizades com intrigas, críticas excessivas, falta de consideração e respeito pelo outro e abusos verbais ou físicos. Pessoas muito perigosas de se conviver.
Essas pessoas tóxicas acabam, de alguma forma, nos envenenando. Direta ou indiretamente, acabamos agindo por influência delas, seja com atitudes ou omissões. Muitas vezes acabamos agindo por impulso para evitar essas pessoas, ou, na pior das hipóteses, acabamos agindo da mesma forma. São pessoas nocivas, intoxicando nosso comportamento e nos levando a agir e a tomar decisões que, em outras circunstâncias poderiam ser completamente diferentes.
São tóxicas, porque conseguem despertar o que há de pior dentro de nós, não apenas no sentido de maldade ou crueldade, mas no sentido de perdermos a identidade, a autonomia, a energia, a iniciativa e o poder de decisão. Ficamos estagnados, hipnotizados, paralisados. São verdadeiros vampiros, sem Luz própria, que consomem nossa energia vital, que exploram e manipulam pessoas de acordo com os seus interesses e vivem às custas da energia dos outros para se sustentarem.
Tóxicas são aquelas pessoas que sabem tudo a respeito da vida das outras pessoas, mas não conseguem administrar a própria vida. Sabem dar conselhos como ninguém tem um discurso lindíssimo para o mundo lá fora, mas que, na vida pessoal, nos bastidores, na vida íntima, são pessoas frustradas, isoladas, verdadeiras ilhas no meio da sociedade, que não tomam para si os próprios conselhos.
Sabem olhar de fora, apontar defeitos, problemas, erros. Mas não sabem participar, não conseguem enxergar os próprios problemas ou defeitos. Apontam os erros alheios para, de certa forma, esconder os seus próprios. São os “sabe-tudo” e só a sua forma de pensar é que está certa. Não suportam ser contrariados e confrontados. Quando o são, perseguem a pessoa até “livrarem-se” dela ou então se vingam. Seu ego é superlativo para compensar a sua extrema falta de Amor-Próprio. Usam as pessoas conforme seus interesses e, quando estas discordam de suas ideias, são descartadas e eliminadas, sem a menor consideração.
toxicidade reside exatamente no fato de não nos darmos conta de que estamos sendo manipulados ou influenciados. Ficamos hipnotizados, fascinados, imersos numa imensa ilusão, até o dia em que despertamos e tomamos consciência de que estamos muito mal, morrendo por dentro, e que algo urgente necessita ser feito. Um corte para a nossa libertação, para resgatar a nossa sanidade, saúde, alegria de viver.
Em nossa busca pela felicidade, por tudo aquilo que nos traz bem-estar e alegria, o grande segredo é não se deixar influenciar, se afastar e evitar a convivência com esses tipos. Isso não significa alimentar sentimentos negativos dentro de si com relação a eles, mas de preferência visualizá-los felizes e agradecidos em sua vida, emanando energias e vibrações positivas.
Reflita, você convive intimamente com alguma pessoa tóxica, seja na família, no trabalho, ou nas “amizades”?
Tenha cuidado, afaste-se, fique longe o quanto antes dessas pessoas.
Cuide-se, preserve-se, seja você mesmo, seja pleno e feliz.
E acima de tudo sempre perdoe essas pessoas, muitas vezes, elas não tem consciência de seus próprios malefícios.
Fonte: Márcia Cassandra via Causa Emocional

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

23 Coisas Que Você Não Deveria Dizer Para Alguém Com Depressão

Apoiar alguém que luta contra a depressão pode ser complicado, e às vezes é tentador se afastar da pessoa em vez de arriscar falar bobagem.

Mas não faça isso. Seus amigos precisam de você mais do que nunca. Só tenha em mente que algumas dessas frases bem-intencionadas podem ter um significado completamente diferente para alguém que sofre de depressão.

1. “Mas você parece tão feliz!”



Você está dizendo que não acredita que estamos deprimidos?

2. “Mas a sua vida é tão boa!”




Talvez a gente tenha perdido o memorando avisando que pessoas com uma vida boa não estão autorizadas a ter depressão.

3. “Você já tentou…?”


E se não, é porque nós não queremos ou talvez porque nós ainda não estamos prontos. Embora agradeçamos o seu conselho, às vezes nós só precisamos de apoio.

4. “É só sair e fazer exercícios ao ar livre — você vai se sentir bem melhor.”



Isso é a mesma coisa que dizer: “Vai correr um pouquinho — suas pernas quebradas vão ficar bem melhores!”

5. “Mas por que você está deprimido?”



É ótimo que você queira entender. O problema é que não existe só um motivo: tem a ver com combinação de genética, biologia, ambiente, experiências sociais e comportamentos adquiridos.

6. “Vamos tomar uma bebida pra você esfriar a cabeça.”




Er… é melhor não tratar nossa doença como um dia difícil no trabalho.

7. “Você não parece deprimido.”



Então… a aparência física das pessoas pode não ter nada a ver com a doença mental com a qual elas estão lidando.

8. “Não se preocupe, você é forte o suficiente para lidar com isso.”





Agradeço pelo apoio, mas ~força de caráter~ não tem nada a ver com recuperação.

9. “Mas eu não faço você feliz?”



Você faz, mas a depressão não é só uma questão de alegria e tristeza; e não queremos que você carregue esse peso.

10. “Você não tem medo de que os remédios te transformem num zumbi?”


Você não tem medo de ser inapropriado ficar perguntando sobre os métodos de tratamento que alguém escolheu?

11. “Você está tomando seus remédios?”



Isso também não é muito delicado.

12. “Você só tem que tentar não pensar nisso.”



Quando foi que isso funcionou para qualquer outra coisa?

13. “Pelo menos você não está tão ruim quanto certas pessoas.”



Como é que é?

14. “Eu sei como é; de vez em quando, eu também fico deprimido.”



A menos que esteja falando sobre sua própria luta contra a depressão, esse é um jeito bem fácil de fazer com que nos sintamos uns inúteis incapazes.

15. “Eu sinto saudades de como as coisas eram antes.”



Você também poderia dizer: “Hoje você é uma porcaria de amigo.” E pode acreditar que nós pensamos muito sobre isso.

16. “Acho que seria bom você se concentrar em fazer exercícios e ter uma boa alimentação.”



Tudo bem, a saúde física pode estar relacionada à saúde mental. Mas se você não é médico, isso não é da sua conta

17. “Você está sendo muito duro consigo mesmo.”



É a depressão que está sendo dura com a gente.

18. “Você precisa se concentrar em fazer coisas que te deixem feliz.”



Uma coisa engraçada na depressão é que as coisas que costumavam me deixar feliz não deixam mais.

19. “Você vai melhorar, é só uma fase.”



Entãooo… é só continuar sofrendo até passar?

20. “Você ainda está com depressão? Mas pensei que já estivesse melhor.”



Existe algum prazo de validade para isso?

21. “Todo mundo tem aqueles dias.”



E muitas pessoas têm “aquela” vida.

22. “A felicidade é uma escolha!”


Que droga! Escolher a felicidade? Por que não pensamos nisso antes?

23. “Eu sei que você conseguirá vencer a doença.”




Tudo bem, nós entendemos o que você quer dizer, mas isso implica que se nós não "vencermos", é porque não estamos lutando o bastante. E não é assim que as coisas funcionam.

FONTE: http://www.buzzfeed.com/

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

TRUQUE DOS 3 DEDOS: O FIM DA ANSIEDADE, ENJOO E INSÔNIA

Recebeu a fatídica mensagem “precisamos conversar”? Lembrou que amanhã tem prova e esqueceu de estudar? Seu chefe descobriu sua conta no Twitter?
- Não se desespere.
Existe um procedimento ridiculamente simples que promete controlar níveis de ansiedade e enjoo. Vamos apelar para as tradicionais técnicas de acupuntura, que estão há milênios tratando vários males através de estimulo em regiões específicas no corpo.
Existe um ponto capaz de aliviar a ansiedade, relaxar o corpo, controlar náuseas, insônia, vômitos e até equilibrar a temperatura do organismo. Estamos falando do ponto PC-6 ou Nei Guan, como é chamado pelos acupunturistas.
Para localiza-lo, basta medir três dedos abaixo da dobra do pulso. O ponto fica no meio entre os dois tendões flexores.



Segundo o Centro de Estudos de Terapias Naturais, para estimular a energia contida e usufruir dos benefícios do ponto PC-6, basta massagear o local suavemente e de forma circular, no sentido horário por 2-5 minutos, em ambos os braços. Relatos indicam que também funciona se apenas pressionar, por cerca de 1 minuto.


Segundo estudos, estimular o ponto Nei Guan também é um tratamento eficaz para doenças cardiovasculares, principalmente para arritmia e problemas no fluxo sanguíneo. Nesse caso, o ideal é que escolha estimular o ponto na parte da manhã, potencializando os batimentos do coração, que descansou bastante durante a noite.

INDICAÇÕES DE USO

Para dor abdominal, dor no braço, asma, arritmia cardíaca, condições cardíacas, desconforto no peito, dor no peito, dor no cotovelo, febre, dor de cabeça, enxaqueca, soluço, dor na região do hipocôndrio, histeria, insônia, icterícia, malária, problemas de memória, menstruação irregular, problemas mentais, distúrbios do metabolismo, náusea, palpitações, prolapso retal, convulsões, dor de estômago, dor cirúrgica ou pós cirúrgica, vômito, choque de Vento.
Não custa tentar neh!? Me contem os resultados nos comentários =)

FONTE: http://sossolteiros.bol.uol.com.br/

domingo, 25 de outubro de 2015

Mortes Por Depressão Crescem 705% Em 16 Anos No Brasil




Em 16 anos, o número de mortes relacionadas  à  depressão cresceu 705% no Brasil,  segundo dados do sistema de mortalidade do Datasus. Estão incluídos na estatística casos de suicídio e outras mortes motivadas por problemas de saúde decorrentes de episódios depressivos.
Foi a depressão, somada à dependência química, o que provavelmente levou o ator americano Robin Williams , de 63 anos, a se matar, na segunda-feira passada, dia 11. Os dados mostram que, em 1996, 58 pessoas morreram por uma causa associada à depressão no Brasil. Em 2012, último dado disponível, foram 467.
O número total de suicídios também teve aumento significativo no Brasil. Passou de 6.743 para 10.321 no mesmo período, uma média de 28 mortes por dia. As taxas de suicídio são muito superiores às mortes associadas à depressão porque, na maioria dos casos, o atestado de óbito não traz a doença como causa associada.
No Brasil, a faixa etária correspondente à terceira idade é a que reúne as estatísticas mais preocupantes. No caso de mortes relacionadas  à  depressão, os maiores índices estão concentrados em pessoas com mais de 60 anos, com o ápice depois dos 80 anos.
No caso dos suicídios, embora os números absolutos não sejam maiores entre os idosos, a maior taxa de crescimento no período analisado ocorreu entre pessoas com mais de 80 anos. Entre 1996 e 2012, o suicídio cresceu 154% nesta faixa etária.
Incidência de depressão tem aumentado nos grandes centros urbanos
Segundo especialistas, o aumento de suicídios e de mortes associadas  à  depressão está relacionado com dois principais fatores: o aumento das notificações e o crescimento de casos do transtorno.
– Como o assunto é mais discutido hoje, há maior procura por atendimento médico e mais diagnósticos. Mas também está provado, por estudos epidemiológicos, que a incidência da depressão tem aumentado nos últimos anos, principalmente nos grandes centros – disse Miguel Jorge, professor associado de psiquiatria da Unifesp.
Jorge explica que, além do componente genético, que pode predispor algumas pessoas à doença, fatores externos da vida atual, como o estresse e a grande competitividade profissional, podem favorecer o aparecimento da doença.
No caso dos idosos, a chegada de doenças crônicas incuráveis, o luto pela perda de pessoas próximas e a frustração por não poder mais realizar algumas atividades os tornam mais vulneráveis à depressão e ao suicídio.
– Um estilo de vida estressante, o uso de drogas e álcool e a insatisfação em diversas áreas são fatores de risco para a doença. Fazer escolhas pessoais e profissionais que ajudem a controlar esses fatores é uma forma de prevenir a depressão – diz o especialista.

Fonte: http://zh.clicrbs.com.br/

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

PARA QUANDO EU ME FOR – UM TEXTO PARA QUEM NÃO TEM MEDO DE SE EMOCIONAR…

Morrer é uma surpresa. Sempre. Nunca se espera. Nem mesmo o paciente terminal acha que vai morrer hoje ou amanhã. Na semana que vem talvez, mas apenas se a semana que vem continuar sendo na semana que vem.
Nunca se está pronto. Nunca é a hora. Nunca vamos ter feito tudo o que queríamos ter feito. O fim da vida sempre vem de surpresa, fazendo as viúvas chorarem e entediando as crianças que ainda não entendem o que é um velório (Graças a Deus).
Com meu pai não foi diferente. Na verdade, foi mais inesperado. Meu pai se foi com 27 anos, a idade que leva muitos músicos famosos. Jovem. Moço demais. Meu pai não era músico nem famoso, o câncer parece não ter preferência. Ele se foi quando eu ainda era novo, descobri o que era um velório justamente com ele. Eu tinha 8 anos e meio, o suficiente pra sentir saudade pelo resto da vida. Se ele tivesse morrido antes, não existiriam lembranças. Nem dor. Mas também não haveria um pai na minha história. E eu tive um pai.
Tive um pai que era duro e divertido. Que me colocava de castigo com uma piadinha pra não me magoar. Que me dava um beijo na testa antes de dormir. Hábito esse que eu levei para os meus filhos. Que me obrigou a amar o mesmo time que ele e que explicava as coisas de um jeito melhor que a minha mãe. Sabe? Um pai desses que faz falta.
Ele nunca me disse que ia morrer, nem quando já estava deitado cheio de tubos. Meu pai fazia planos para o ano que vem mesmo sabendo que não veria o próximo mês. No ano que vem iríamos pescar, viajar, visitar lugares que nenhum de nós conhecia. O ano que vem seria incrível. Eu vivi esse sonho com ele.
Acho, tenho certeza na verdade, que ele pensava que isso daria sorte. Supersticioso. Pensar no futuro era o jeito dele se manter otimista. O desgraçado me fez rir até o final. Ele sabia. Ele não me contou. Ele não me viu chorar a sua perda.
E de repente o ano que vem acabou antes de começar.
Minha mãe me pegou na escola e fomos ao hospital. O médico deu a notícia com toda a sensibilidade que um médico deixa de ter com os anos. Minha mãe chorou. Ela também tinha um pingo de esperança. Como disse antes, todo mundo tem. Eu senti o golpe. Como assim? Não era só uma doença normal dessas que a gente toma injeção? Pai, como eu te odiei. Você mentiu pra mim. Não fiquei triste, pai, fiquei com raiva. Me senti traído. Gritei de raiva no hospital até perceber que meu pai não estava lá pra me colocar de castigo. Chorei.
Mas aí meu pai foi meu pai de novo. Trazendo uma caixa de sapato debaixo dos braços, uma enfermeira veio me consolar. Dentro, dezenas de envelopes lacrados com frases escritas onde deveriam ficar os nomes dos destinatários. Entre as lágrimas e os soluços não consegui entender direito o que estava acontecendo. E então a mesma enfermeira me entregou uma carta. A única fora da caixa.
“Seu pai me pediu pra entregar essa pessoalmente e te dizer pra abrir. Ele passou a semana inteira escrevendo tudo isso e disse que era pra você. Seja forte.” Disse a enfermeira com um abraço.
PARA QUANDO EU ME FOR dizia o envelope que ela me entregou. Abri.
Filho,
Se você está lendo eu morri. Desculpa, eu sabia.
Não queria te dizer que ia acontecer, não queria te ver chorar. Parece que consegui. Acho que um homem prestes a morrer tem o direito de ser um pouco egoísta.
Bom, como eu ainda tenho muito pra te ensinar, afinal você não sabe de nada, deixei essas cartas. Você só pode abrir quando o momento certo chegar, o momento que eu escrevi no envelope. Esse é o nosso combinado, ok?
Eu te amo. Cuida da sua mãe, você é o homem da casa agora.
Beijo, pai.
PS: Não deixei cartas para sua mãe, ela já ficou com o carro.
E com aqueles garranchos, afinal naquela época não era tão fácil imprimir como é hoje em dia, ele me fez parar de chorar. Aquela letra porca que uma criança de 8 anos mal entendia (eu, no caso) me acalmou. Me arrancou um riso do rosto. Esse era o jeito do meu pai de fazer as coisas. Que nem o castigo com uma piadinha para aliviar.
Aquela caixa se tornou a coisa mais importante do mundo. Proibi minha mãe de abrir, de ler. Mas elas eram minhas, só pra mim. Sabia decorado todos os momentos da vida em que eu poderia abrir uma carta e ler o que meu pai tinha deixado. Só que esses momentos demoraram muito pra chegar. E eu esqueci.
Sete anos e uma mudança depois eu não tinha ideia de onde a caixa tinha ido parar. Eu não lembrava dela. Algo que você não lembra não faz falta. Se você perdeu algo da sua memória, você não perdeu. Simplesmente não existe. Como dinheiro que depois você acha no bolso da bermuda.
E então aconteceu. Uma mistura de adolescência com o novo namorado da minha mãe desencadeou o que meu pai sabia que um dia aconteceria. Minha mãe teve vários namorados, sempre entendi. Ela nunca casou de novo. Não sei ao certo o motivo, mas gosto de acreditar que o amor da vida dela tinha sido meu pai. Mas esse namorado era ridículo. Eu sentia que ela se rebaixava pra ele. Que ele fazia pouco da mulher que ela era. Que uma mulher como ela merecia algo melhor do que um cara que ela tinha conhecido no forró.
Me lembro até hoje do tapa que veio acompanhado da palavra “forró”. Eu mereci, admito. Os anos me mostraram isso. Na hora, enquanto a pele da minha bochecha ardia, lembrei da minha caixa e das minhas cartas. De uma carta em específico que dizia PARA QUANDO VOCÊ TIVER A PIOR BRIGA DO MUNDO COM A SUA MÃE.
Corri para o quarto e revirei minhas coisas o suficiente para levar outro tapa na cara da minha mãe. Encontrei a caixa dentro de uma mala de viagem na parte de cima do armário. O limbo. Procurei entre os envelopes. Passei por PARA QUANDO VOCÊ DER O PRIMEIRO BEIJO e percebi que havia pulado essa, me odiei um pouco e decidi que a leria logo depois, e por PARA QUANDO VOCÊ PERDER A VIRGINDADE, uma que eu esperava abrir logo, logo. Achei o que procurava e abri.
Pede desculpa.
Eu não sei o motivo da briga e nem quem tem razão. Mas eu conheço a sua mãe. Então a melhor maneira de resolver isso é com um humilde pedido de desculpas. Do tipo rabinho entre as pernas.
Ela é sua mãe, cara. Te ama mais do que tudo nessa vida. Sabe, ela escolheu parto normal porque alguém disse que era melhor pra você. Você já viu um parto normal? Pois é, quer demonstração de amor maior que essa?
Pede desculpa. Ela vai te perdoar. Eu não seria tão bonzinho.
Beijo, pai.
Meu pai passava longe de um escritor, era bancário, mas as palavras dele mexeram comigo. Havia mais maturidade nelas do que nos meus quatorze anos de vida. O que não era muito difícil por sinal.
Corri para o quarto da minha mãe e abri a porta. Já estava chorando quando ela, chorando também, virou a cabeça pra me olhar nos olhos. Não lembro o que ela gritou pra mim, algo como “O que você quer?”, mas lembro que andei até ela e a abracei, ainda segurando a carta do meu pai. Amassando o papel já velho entre os meus dedos. Ela me abraçou de volta e ficamos em silêncio por não sei quantos minutos.
A carta do meu pai fez ela rir alguns momentos depois. Fizemos as pazes e conversamos um pouco sobre ele. Ela me contou umas manias estranhas que ele tinha, como comer salame com geleia de morango. De algum modo, senti que ele estava ali. Eu, minha mãe e um pedaço do meu pai, um pedacinho que ele deixou naquele papel. Que bom.
Não demorou muito e li PARA QUANDO VOCÊ PERDER A VIRGINDADE.
Parabéns, filho.
Não se preocupa, com o tempo a coisa fica melhor. Toda primeira vez é um lixo. A minha foi com a puta mais feia do mundo, por exemplo.
Meu maior medo é você ler o envelope e perguntar da sua mãe antes da hora o que é virgindade. Ou pior, ler o que eu acabei de escrever sem nem saber o que é punheta (você sabe, não sabe?). Mas isso também não será problema meu, não é mesmo?
Beijo, pai.
Meu pai acompanhou minha vida toda. De longe, sim, mas acompanhou. Em incontáveis momentos suas palavras me deram aquela força que ninguém mais conseguia dar. Ele sempre dava um jeito de me arrancar um sorriso em um momento de tristeza ou de clarear meus pensamentos num momento de raiva.
PARA QUANDO VOCÊ CASAR me emocionou, mas não tanto quanto PARA QUANDO EU FOR AVÔ.
Filho, agora você vai descobrir o que é amor de verdade. Vai descobrir que você gosta bastante da sua mulher, mas que amor mesmo é o que você vai sentir por essa coisinha aí que eu não sei se é ele ou ela. Sou um cadáver, não um vidente.
Aproveita. É a melhor coisa do mundo. O tempo vai passar rápido, então esteja presente todos os dias. Não perca nenhum momento, eles não voltam mais. Troque as fraldas, dê banho, sirva de exemplo. Acho que você tem condições de ser um pai tão incrível quanto eu.
A carta mais dolorida da minha vida foi também a mais curta do meu pai. Acredito que ele sofreu para escrever aquelas quatro palavras o mesmo que eu sofri por ter vivido aquele momento. Demorou, mas um dia eu tive que ler PARA QUANDO SUA MÃE SE FOR.
Ela é minha agora.
Uma piada. Um palhaço triste que esconde o choro por trás do sorriso de maquiagem. Foi a única carta que não me arrancou um sorriso, mas entendi a razão.
Eu sempre respeitei o combinado com meu pai. Nunca li nenhuma carta antes do momento certo. Tirando PARA QUANDO VOCÊ SE DESCOBRIR GAY, claro. Nunca acreditei que o momento de ler essa carta chegaria, então abri muitos anos atrás. Ela foi uma das mais engraçadas, por sinal.
O que eu posso dizer? Ainda bem que morri.
Deixando as brincadeiras de lado e falando sério (é raro, aproveita). Agora semimorto eu vejo que a gente se importa muito com coisas que não importam tanto. Você acha que isso muda alguma coisa, filho?
Não seja bobo, seja feliz.
Sempre esperei muito pelo próximo momento. Pela próxima carta. Pela próxima lição que meu pai tinha pra me dar. Incrível como um homem que viveu 27 anos teve tanto pra ensinar pra um senhor de 85 como eu.
Agora, deitado na cama do hospital, com tubos no nariz e na traqueia (maldito câncer), eu passo os dedos por cima do papel desbotado da última carta. PARA QUANDO SUA HORA CHEGAR o garrancho quase invisível diz.
Não quero abrir. Tenho medo. Não quero acreditar que a minha hora chegou. Esperança, lembra? Ninguém acredita que vai morrer hoje.
Respiro fundo e abro.
Oi, filho, espero que você seja um velho agora.
Sabe, essa foi a carta mais fácil de escrever. A primeira que eu escrevi. A carta que me livrou da dor de te perder. Acho que estar perto do fim clareia a cabeça pra falar sobre o assunto.
Nos meus últimos dias eu pensei na vida que eu levei. Na minha curta vida, sim, mas que me fez muito feliz. Eu fui seu pai e marido da sua mãe. O que mais eu poderia querer? Isso me deu paz. Faça o mesmo.
Um conselho: não precisa ter medo.
PS: Tô com saudade.
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Por: Rafael Zoehler – Via: Blog
FONTE: http://thesecret.tv.br/